Bom, eu gostaria de soltar pra fora como e porque escrevo algumas de minhas letras de músicas, que as vezes parecem sair mais como algo improvisado simplesmente pra completar a canção, o que não é verdade.
Hoje sinto vontade de explicar a letra da música que mais senti prazer em fazer, a música que mais senti prazer em escrever entre todas que tenho; São Paulo.
Acho que posso começar falando do título, que foi praticamente, o começo de tudo.
Na época da composição da música, eu estava viciado em uma música que até então eu considerava como uma das melhores músicas que passaram por meus ouvidos durante toda minha vida, essa música tinha um título peculiar e que me chamou a atenção, era Tokyo, do Quruli.
A música era linda, melancólica, e realmente me fazia me sentir como se eu entendesse como seria viver em uma cidade como Tokyo, no Japão, e foi mai sou menos isso que eu entendi que Shigeru Kishida quis passar ao escrever aquela canção.
Partindo disso, achei magnífico uma canção sobre a cidade onde viviam, onde cresceram, e viveram tantas coisas magníficas, a letra eu nunca cheguei à ler realmente traduzida pra entender o que queria passar, mas eu me baseava apenas no título e na sensação que a música passava, algo inexplicável e que não cabe a mim traduzir com palavras.
Nisso fiquei fascinado, até depois ver que outras bandas e artistas também tinham canções com o mesmo nome [eastern youth, YUI, ghostnote, Mr. Children, etc.].
Achei extremamente interessante, e quis tentar fazer algo do mesmo modo, com a minha odiada e querida cidade de São Paulo.
Disso surgiu o título, faltava o restante da letra, que eu já tinha pré definida em minha cabeça na época, também.
Disso surgiu o título, faltava o restante da letra, que eu já tinha pré definida em minha cabeça na época, também.
A letra em si é a história de um homem que está cansado de sua vida vazia, só trabalha e não aproveita sua vida, acha que o mundo está girando, e que sua cidade está vivendo, e ele está apenas no fluxo de tudo isso.
Até que ele decide mudar, mas já é tarde demais, ele foi sugado por uma vida medíocre, e ele se sente preso sem poder resgatar a pessoa esperançosa e cheia de sonhos que era quando criança.
Em suma, a música é isso.
Nunca perca você mesmo quando criança, pois sua vida pode não acabar sendo o que você desejava.
Vamos à letra.
Meia noite já passou
E eu ainda estou aqui
Minha mente voa pra bem longe, por aí
[Nessa parte, nosso personagem se sente perdido, e sente que o único jeito de fugir de tudo, é imaginar outros mundos, outras vidas, fugir desse mundo cru.]
Ninguém pode mais me ouvir
Ninguém pode mais me ver
E eu junto só quem pode me fazer bem
[Essa parte é difícil de ser explicada, é mais fácil de ser entendida livremente... Mas é mais ou menos assim, quando você se sente sozinho, ameaçado, e sente que tudo está te fazendo mal, você simplesmente quer sumir, mas não totalmente, você quer sumir e levar só quem pode te fazer bem para esse lado invisível.]
"Eu tenho que trabalhar"
"Eu tenho que estudar"
Já passou da hora de nós vivermos mais
[Frases de quando era criança, falando para seus pais...]
Meu amor, muito prazer
Essa noite é pra você
E espero que você só me ame mais
[Frases de quando era criança, falando para sua amada...]
Eu era bem pequeno quando sentia dor
Não era tão distante pra falar de "amor"
O que aconteceu? parece que tudo mudou...
[Nessa hora ele começa a refletir e perceber que tudo o que vive agora, é um erro; ele nunca deveria ter mudado, ele nunca deveria ter deixado de ser quem era.]
Seu filho quer te ver
Só queria estar com você
Saia de casa!
Me ajude, por favor
[Esse refrão são como flashs do personagem, separado e pai de um filho, expulso de casa quando criança, morou na rua por alguns meses]
Meu relógio já parou
Meu amigo se suicidou
E é por conta da casa!
[O relógio parado significa a vida parada, sem motivações nem metas a alcançar, uma vida vazia.
O amigo suicida é algo fácil de entender, e "é por conta da casa" demonstra como o mundo, mais precisamente a cidade, pode ser cruel, pois isso acontece com muita frequência...]
Hoje chove e estou mal
Ter febre é até legal
Ninguém sabe a dor real da depressão
[Um dia de chuva, um dia de reflexão, o personagem está tão abatido que considera febre uma coisa realmente boa que se passa com ele no momento, e ele acha que ninguém sabe, além dele, qual a dor real da depressão na qual passa no momento.]
Meu amor, muito prazer
Essa noite é pra você
E espero que você só me ame mais
Eu era bem pequeno quando sentia dor
Não era tão distante pra falar de "amor"
O que aconteceu? parece que tudo mudou...
Por amor me feri muito
Por pavor eu perdi muito
Só cabia a mim achar o sol e continuar
[Ele explicando a situação na qual se encontra, essas seriam frases de sua carta de suicídio.]
Eu ainda tenho tempo
A cidade está vivendo
E eu tenho de continuar até me encontrar
[Isso seria ele voltando atrás na última hora, e pensando que tem pessoas que dependem dele, e ele terá que ser forte e aguentar tudo para que as pessoas que dele dependem vivam felizes.]
Muito tempo
Se passou e desde então
O meu sonho não mudou
E eu quero te ver
Para proteger alguém
Tive que romper a minha paz
Para demonstrar meu valor
Enterrei meus anos
E abracei minha dor
[Essa é a parte da qual mais gosto da música, pois é a parte que considero mais poética.
Nessa parte, seria uma simulação do personagem falando com ele mesmo quando criança, são diálogos apenas do personagem adulto dizendo tudo o que tinha no coração para ele mesmo quando criança, tentando fazer com que ele perceba onde errou, ou acertou, e o que fez ele mudar tanto.
O "e eu quero te ver" seria ele chamando de volta ele mesmo quando criança.]
Seu filho quer te ver
Só queria estar com você
Saia de casa!
Me ajude, por favor
Meu relógio já parou
Meu amigo se suicidou
E é por conta da casa!
Por amor me feri muito
Por pavor eu perdi muito
Só cabia a mim achar o sol e continuar
Eu ainda tenho tempo
A cidade está vivendo
E eu tenho de continuar até me encontrar
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